Iga ware

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Introdução

A cerâmica de Iga (em japonês: 伊賀焼, "Iga-yaki") é uma tradição histórica japonesa de cerâmica de grés originária de Iga, na província de Mie. Renomada pelas suas texturas rústicas, esmalte natural de cinzas, transformações induzidas pelo fogo e estética wabi-sabi, a cerâmica de Iga está intimamente associada à cerimónia do chá ("chanoyu") e à estética da simplicidade rústica. As suas longas queimas em forno de lenha e argilas feldspáticas resultam em escorrimentos naturais do esmalte, superfícies queimadas e formas caracteristicamente robustas.

Etimologia

O nome "Iga-yaki" (伊賀焼) significa "cerâmica de Iga", derivado da região de Iga, na província de Mie. A designação é tanto geográfica como estilística, refletindo séculos de cultura cerâmica local e fortes laços com a estética do chá.

Origem e Desenvolvimento Histórico

A cerâmica de Iga surgiu durante o período "Heian tardio a Kamakura", ganhando destaque no período "Momoyama", quando mestres de chá como Sen no Rikyū privilegiavam a cerâmica rústica com marcas de queima. Os fornos de Iga, que utilizavam barro local com elevada refractariedade, ficaram conhecidos pelas suas dramáticas técnicas de cozedura a lenha e pelas superfícies transformadas pelas cinzas.

Durante o período Edo, a cerâmica de Iga continuou a servir:

  • encontros para chá,
  • residências em castelos,
  • comerciantes regionais.

Ao contrário dos centros de porcelana, Iga manteve-se dedicada à cerâmica, preservando as tradições medievais dos fornos até à era moderna. O movimento mingei do século XX elevou ainda mais o seu estatuto cultural.

Variações Regionais

A cerâmica Iga inclui diversas categorias estilísticas:

  • Cerâmica Iga Clássica — taças e jarros pesados, queimados em forno de lenha, com depósitos naturais de cinzas.
  • Cerâmica Iga de Cinzas Verdes — esmalte feldspático que se acumula em detalhes vítreos verdes.
  • Cerâmica Iga Queimada em Preto — superfícies escurecidas pela queima em forno de redução.
  • Cerâmica Iga Contemporânea — experimentação escultural que mantém as marcas da queima.

Estas variações refletem a atmosfera do forno, o tempo de cozedura e os efeitos das cinzas da madeira.

Materiais e Técnicas

A argila Iga é rica em sílica e minerais refractários, permitindo condições de cozedura extremas sem colapso. Materiais e métodos principais:

  • Argila local de Iga com elevada tolerância ao calor,
  • Esmaltes de cinzas de madeira e feldspáticos,
  • Queimas de longa duração (até 10 a 14 dias),
  • Fornos anagama ou noborigama que criam um fluxo natural do esmalte,
  • Formas rústicas modeladas à mão e no torno.

Queimas longas produzem intencionalmente:

  • Texturas queimadas ("koge"),
  • Vitrificação das cinzas,
  • Escorrimentos naturais de esmalte ("biidoro").

Iconografia e Motivos Decorativos

A cerâmica de Iga evita motivos pictóricos explícitos. Em vez disso, a decoração é inerente a:

  • Padrões de queimadura,
  • Filetes de "vidro" formados pelo escorrimento de cinzas,
  • Superfícies irregulares,
  • Marcas de ferramentas,
  • Texturas de terra gretada.

A estética do chá prioriza a autenticidade da matéria-prima em detrimento da iconografia pintada.

Características

As características típicas da cerâmica de Iga incluem:

  • corpo espesso e durável, resistente a altas temperaturas,
  • detalhes em esmalte verde de cinzas,
  • superfícies carbonizadas e marcadas pelo fogo,
  • textura áspera equilibrada por forma controlada,
  • expressão wabi-sabi da imperfeição e da austeridade.

A cerâmica incorpora tanto a brutalidade do fogo como a contenção poética.

Significado Cultural

A cerâmica de Iga está profundamente ligada a:

  • a cerimónia do chá japonesa e a estética wabi-sabi,
  • o gosto de Momoyama por superfícies rústicas e pouco requintadas,
  • a continuidade das tradições da cerâmica de grés queimada a lenha.

A sua aparência reflete tanto as forças da natureza como a intenção disciplinada do artesão.

Produção Atual

Hoje, Iga continua a ser um centro ativo de cerâmica. As oficinas produzem:

  • utensílios para chá,
  • vasos e peças escultóricas,
  • taças e pratos funcionais para uso doméstico.

O turismo e as exposições culturais na província de Mie contribuem para a preservação da identidade artesanal local.

Declínio e Renascimento

A cerâmica Iga passou por períodos de estagnação durante a expansão da indústria da porcelana, mas nunca desapareceu completamente devido a:

  • procura constante pela cerimónia do chá,
  • interesse dos mingei (povos indígenas) pelo artesanato rústico,
  • proteção do património regional.

O renascimento é mantido através de:

  • festivais de fornos,
  • subsídios para a preservação cultural,
  • comunidades de artesãos ativas.

Coleccionismo e Autenticação

Os colecionadores valorizam:

  • esmalte de cinzas autêntico,
  • marcas de queima acentuadas,
  • formatos de utensílios de chá Edo-Momoyama,
  • escorrimentos naturais de vidro biidoro,
  • textura de barro identificável.

As peças autênticas de Iga são reconhecidas pela granulosidade do barro, tonalidade do esmalte de cinzas e características da superfície induzidas pelo fogo.

Legado e Influência

A cerâmica Iga contribui para:

  • a apreciação global da estética da queima da lenha,
  • a filosofia da imperfeição como beleza,
  • a escultura cerâmica moderna influenciada pela cozedura natural.

Mantém-se como um pilar da identidade da cerâmica japonesa.

Ver também

Referências

  • Conselho do Património Cultural da Câmara Municipal de Mie. “Iga-yaki e Tradições de Queima a Lenha.” Acedido a 4 de dezembro de 2025.
  • Museu de Artesanato Popular do Japão. “Cerâmica Iga e a Estética Wabi”“. Acedido a 4 de dezembro de 2025.
  • Registos de Fornos Kyoto-Mie. “Cerâmica de Chá Momoyama: Origens da Cerâmica Iga.” Acedido a 4 de dezembro de 2025.
  • Associação de Ceramistas de Iga. “Técnicas e Métodos de Queima do Iga-yaki.” Acedido a 4 de dezembro de 2025.
  • Enciclopédia de Artesanato Tradicional Japonês. “Iga-yaki.” Acedido a 4 de dezembro de 2025.