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O Raku tradicional japonês | O Raku tradicional japonês ''não'' utiliza a redução de fumo após a queima (uma prática comum no “Raku” ocidental), o que é uma distinção importante. | ||
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A cerâmica Raku privilegia o minimalismo. Em vez da decoração pictórica, a ênfase é colocada em: | A cerâmica Raku privilegia o minimalismo. Em vez da decoração pictórica, a ênfase é colocada em: | ||
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Edição atual desde as 04h57min de 25 de fevereiro de 2026
Introdução
A cerâmica Raku (em japonês: 楽焼, "Raku-yaki") é um estilo tradicional de cerâmica japonesa originário de Quioto, no final do século XVI. Estreitamente associada à cerimónia do chá japonesa, a cerâmica Raku caracteriza-se por formas moldadas à mão, queima a baixa temperatura, arrefecimento rápido e uma superfície macia e tátil. A sua estética está fortemente ligada aos valores do "wabi-sabi" (simplicidade, naturalidade e tranquilidade espiritual). A cerâmica Raku continua a ser uma das tradições cerâmicas mais influentes do Japão, mantida por uma linhagem familiar contínua há mais de 450 anos.
Etimologia
O termo "Raku" (楽) significa "facilidade", "conforto" ou "prazer".
Foi atribuído pelo senhor da guerra Toyotomi Hideyoshi ao ceramista Chōjirō, cuja produção de azulejos e taças de chá recentemente desenvolvidos impressionaram o mestre de chá Sen no Rikyū. A família passou a ser conhecida como a família Raku, e a cerâmica adotou o nome de "Raku-yaki".
Origem e Desenvolvimento Histórico
A cerâmica Raku teve origem na década de 1580 em Quioto, quando Chōjirō — descendente de artesãos imigrantes da China — desenvolveu um novo método de moldar tigelas de chá à mão, em vez de as utilizar em tornos. O mestre de chá Sen no Rikyū apreciava estas taças pela sua estética sóbria e presença marcante durante a cerimónia do chá.
Durante os períodos Momoyama e início do Edo, a cerâmica Raku tornou-se profundamente ligada aos fundamentos culturais e espirituais da cultura do chá japonesa. Gerações sucessivas da família Raku (cada uma adotando o nome Raku Kichizaemon) refinaram a tradição, introduzindo o Raku vermelho ("aka-raku"), o Raku preto ("kuro-raku") e técnicas subtis de acabamento de superfícies.
O Raku tornou-se parte integrante da tradição, incorporando técnicas subtis de acabamento de superfícies. A tradição continuou durante os períodos Meiji e moderno, com a família Raku a adaptar-se a novos contextos artísticos, preservando a filosofia essencial do ofício.
Variações Regionais
Embora Quioto permaneça o centro histórico, as tradições relacionadas desenvolveram-se noutros locais, muitas vezes inspiradas pelo Raku, mas regionalmente distintas:
- "Cerâmica Ōhi" (Ishikawa) – cerâmica modelada à mão e esmaltada a âmbar, descendente dos métodos Raku.
- "Cerâmica Dai / fornos Raku regionais" – vários workshops do período Edo que adotaram as técnicas Raku para a cerâmica de chá.
- "Raku de estúdio contemporâneo" – interpretações modernas dentro e fora do Japão, embora a queima tradicional do Raku difira significativamente do Raku de estúdio ocidental.
Estas vertentes não devem ser confundidas com a linhagem Raku de Quioto, mas reflectem a sua influência.
Materiais e Técnicas
A cerâmica Raku tradicional é produzida através de:
- Moldagem manual (sem torno de oleiro), criando formas orgânicas e intimistas.
- Queima a baixa temperatura, utilizando um pequeno forno aquecido rapidamente.
- Remoção imediata do forno quente, resultando em texturas características no esmalte.
- Utilização de argila macia e porosa, adequada para o choque térmico.
As principais técnicas incluem:
- Kuro-raku (Raku preto) – esmalte rico em ferro que produz superfícies pretas profundas.
- Aka-raku (Raku vermelho) – vernizes à base de cobre que criam tons vermelhos quentes.
- Ferramentas de entalhe e alisamento – utilizadas para dar forma às superfícies após a moldagem.
O Raku tradicional japonês não utiliza a redução de fumo após a queima (uma prática comum no “Raku” ocidental), o que é uma distinção importante.
Iconografia e Motivos Decorativos
A cerâmica Raku privilegia o minimalismo. Em vez da decoração pictórica, a ênfase é colocada em:
- tonalidade do verniz,
- textura,
- forma,
- assimetria,
- marcas da mão do artesão.
Motivos naturais subtis podem aparecer em relevo ou pinceladas, mas a ornamentação é tipicamente discreta.
Características
A cerâmica Raku é reconhecida por:
- superfícies quentes e tácteis com brilho suave ou esmaltes mate;
- formas moldadas à mão, ligeiramente assimétricas;
- paredes espessas que proporcionam uma sensação reconfortante ao toque;
- massas de argila porosas e de baixa temperatura de cozedura;
- presença discreta e elegante, adequada à cerimónia do chá.
Cada peça é feita individualmente — não existem duas peças iguais.
Significado Cultural
A cerâmica Raku incorpora a essência filosófica da cultura do chá japonesa:
- o ideal de "wabi-sabi";
- a importância do gesto individual do artesão;
- a relação íntima entre a tigela, o anfitrião e o convidado.
Influenciou séculos da estética cerâmica japonesa e continua a ser considerada uma das formas mais elevadas de cerâmica para a cerimónia do chá.
Produção Moderna
A família Raku continua a produzir cerâmica Raku na histórica propriedade e estúdio Raku em Quioto.
O atual chefe de família (Raku Kichizaemon XV) e artistas contemporâneos formados na tradição trazem:
- novas composições químicas para esmaltes,
- interpretações escultóricas,
- colaborações com museus e galerias.
O Raku moderno mantém as suas origens artesanais, ao mesmo tempo que responde aos contextos da arte contemporânea.
Declínio e Renascimento
A cerâmica Raku nunca sofreu um verdadeiro declínio, mas enfrentou desafios:
- a modernização da produção cerâmica,
- a concorrência de peças produzidas em massa nos períodos Meiji e início do Shōwa.
O seu renascimento foi contínuo, sustentado por:
- a influência das escolas de chá de Urasenke e Omotesenke,
- o global apreciação da estética japonesa,
- o alcance educativo do Museu Raku,
- crescente interesse académico pela cerâmica para chá.
Coleccionismo e Autenticação
Os colecionadores procuram por:
- a assinatura e o selo da linhagem da família Raku,
- texturas de queima tradicionais (especialmente em kuro-raku e aka-raku),
- autenticidade da composição do barro e do esmalte,
- origem através de escolas de chá ou exposições documentadas.
Existem falsificações, pelo que a autenticação geralmente envolve o exame especializado.
Legado e Influência
A cerâmica Raku influenciou:
- o desenvolvimento da cerâmica Ōhi em Kanazawa,
- o movimento Mingei,
- a cerâmica de estúdio do século XX em todo o mundo,
- a queima raku ocidental (que, embora inspirada na Raku, é tecnicamente distinta).
A sua ênfase na simplicidade, no artesanato e na individualidade continua a moldar a arte cerâmica moderna a nível global.
Ver também
Referências
- "Cerâmica Raku." Encyclopædia Britannica. Acedido a 2 de dezembro de 2025.
- Museu Raku, Quioto. Resumo histórico oficial e exposições. Acedido a 2 de dezembro de 2025.
- “Raku-yaki.” KOGEI Japan – Artesanato Tradicional do Japão. Acedido a 2 de dezembro de 2025.
- “Cerâmica da família Raku.” Metropolitan Museum of Art – Destaques da Coleção. Acedido a 2 de dezembro de 2025.
- “História das Taças de Chá Raku.” Materiais educativos do Museu Nacional de Quioto. Acedido a 2 de dezembro de 2025.
- “A Cerâmica Raku e a Cerimónia do Chá.” Publicações da Fundação Urasenke. Acedido a 2 de dezembro de 2025.