Shidoro ware: diferenças entre revisões
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'''A cerâmica Shidoro''' (em japonês: 志戸呂焼, ''Shidoro-yaki'') é uma cerâmica tradicional japonesa produzida no distrito de Shidoro, nas atuais regiões de Kakegawa e Fukuroi, na província de Shizuoka. Conhecida pela sua massa escura de barro rico em ferro, efeitos naturais de esmalte de cinzas e estética rústica wabi-sabi, a cerâmica Shidoro é apreciada tanto para utensílios de uso diário como para a cerimónia do chá. A tradição da produção em forno floresceu durante o período Edo e continua a ser um importante artesanato cultural da região de Tōkai. | '''A cerâmica Shidoro''' (em japonês: 志戸呂焼, ''Shidoro-yaki'') é uma cerâmica tradicional japonesa produzida no distrito de Shidoro, nas atuais regiões de Kakegawa e Fukuroi, na província de Shizuoka. Conhecida pela sua massa escura de barro rico em ferro, efeitos naturais de esmalte de cinzas e estética rústica wabi-sabi, a cerâmica Shidoro é apreciada tanto para utensílios de uso diário como para a cerimónia do chá. A tradição da produção em forno floresceu durante o período Edo e continua a ser um importante artesanato cultural da região de Tōkai. | ||
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O nome "Shidoro" (志戸呂) refere-se à região de Shidoro, na antiga província de Tōtōmi, onde se localizavam os depósitos de argila e os fornos. O termo "Shidoro-yaki" significa literalmente "cerâmica de Shidoro" e é utilizado para designar cerâmicas cozidas com argilas locais ricas em ferro e esmaltes naturais de cinzas. | O nome "Shidoro" (志戸呂) refere-se à região de Shidoro, na antiga província de Tōtōmi, onde se localizavam os depósitos de argila e os fornos. O termo "Shidoro-yaki" significa literalmente "cerâmica de Shidoro" e é utilizado para designar cerâmicas cozidas com argilas locais ricas em ferro e esmaltes naturais de cinzas. | ||
Edição atual desde as 05h12min de 25 de fevereiro de 2026
Também romanizado como Shitoro ware (志戸呂焼, Shitoro-yaki).
Introdução
A cerâmica Shidoro (em japonês: 志戸呂焼, Shidoro-yaki) é uma cerâmica tradicional japonesa produzida no distrito de Shidoro, nas atuais regiões de Kakegawa e Fukuroi, na província de Shizuoka. Conhecida pela sua massa escura de barro rico em ferro, efeitos naturais de esmalte de cinzas e estética rústica wabi-sabi, a cerâmica Shidoro é apreciada tanto para utensílios de uso diário como para a cerimónia do chá. A tradição da produção em forno floresceu durante o período Edo e continua a ser um importante artesanato cultural da região de Tōkai.
Etimologia
O nome "Shidoro" (志戸呂) refere-se à região de Shidoro, na antiga província de Tōtōmi, onde se localizavam os depósitos de argila e os fornos. O termo "Shidoro-yaki" significa literalmente "cerâmica de Shidoro" e é utilizado para designar cerâmicas cozidas com argilas locais ricas em ferro e esmaltes naturais de cinzas.
Origem e Desenvolvimento Histórico
A cerâmica de Shidoro teve origem no início do período Edo (século XVII), quando os ceramistas da região descobriram depósitos de argila excecionalmente plástica e rica em ferro no vale de Shidoro. Os fornos locais produziam inicialmente artigos utilitários — jarros, taças, pilões e utensílios de cozinha — para servir as comunidades agrícolas vizinhas.
Sob a influência da cultura do chá que se espalhava pelo centro do Japão, as oficinas de Shidoro começaram a produzir taças de chá, jarros de água e vasos de flores com superfícies escuras e marcantes e padrões de esmalte natural de cinzas. Estas peças tornaram-se populares na região de Tōkai pelo seu charme rústico e adequação à estética wabi-cha.
No final do período Edo e início do período Meiji, a cerâmica Shidoro registou um aumento da procura, mas a cerâmica industrial acelerou gradualmente o seu declínio. Apenas alguns fornos sobreviveram até à era moderna, mantendo a tradição através de linhagens familiares.
Variações Regionais
A cerâmica Shidoro desenvolveu vários subestilos característicos:
- "Cerâmica Shidoro Preta" — grés negro profundo, rico em ferro, queimado em redução.
- "Cerâmica Shidoro com Esmalte de Cinzas" — superfícies com depósitos naturais de cinzas esverdeadas ou âmbar provenientes de fornos a lenha.
- "Cerâmica Shidoro Castanho" — peças em tons quentes de castanho ou castanho, resultantes da queima em oxidação.
- "Cerâmica Shidoro para a Cerimónia do Chá" — taças maiores, jarros de água e vasos que enfatizam as texturas naturais e os efeitos da cozedura.
Estas variações refletem diferenças na atmosfera do forno e no posicionamento das peças dentro dos fornos de escalada.
Materiais e Técnicas
A cerâmica Shidoro é produzida a partir de:
- argila local rica em ferro que, após a cozedura, adquire tons de castanho-escuro ou preto,
- fornos a lenha (principalmente noborigama e anagama),
- esmalte natural de cinzas formado a partir das cinzas do combustível no interior do forno.
As técnicas incluem:
- modelagem em torno para taças, jarras e pratos,
- modelação em rolos para grandes recipientes de armazenamento,
- queima a temperatura reduzida para obter superfícies escuras,
- queima a alta temperatura (1200–1250 °C) para durabilidade e esmalte de cinzas,
- posicionamento estratégico no forno para otimizar o fluxo natural de cinzas.
Muitas peças incorporam, deliberadamente, irregularidades e efeitos do forno.
Iconografia e Motivos Decorativos
A cerâmica Shidoro é tipicamente desprovida de decoração. A sua estética baseia-se em:
- fluxos e gotejamentos naturais de cinzas,
- superfícies de ferro escuro,
- marcas de queima ("keshiki"),
- simples ranhuras ou sulcos,
- linhas ou texturas incisas ocasionais.
A ênfase está na beleza da cozedura natural, em vez de desenhos pintados.
Características
A cerâmica Shidoro é reconhecida por:
- corpos de grés castanho-escuro a preto,
- subtis reflexos de esmalte de cinzentos em verde, âmbar ou cinzento,
- texturas rústicas e variações orgânicas na superfície,
- formas funcionais e robustas adequadas para o uso diário,
- carácter wabi-sabi enraizado na simplicidade e na cozedura natural.
Partilha afinidades com outras tradições rústicas do grés japonês.
Significado Cultural
A cerâmica Shidoro incorpora:
- a herança artesanal da província de Tōtōmi,
- a interação entre a cerâmica funcional do dia-a-dia e a estética da cerimónia do chá,
- a identidade regional ligada aos materiais naturais e aos fornos a lenha.
Servia tanto para fins práticos em residências rurais como para funções artísticas em encontros para o chá e arranjos florais.
Produção Moderna
Alguns fornos nas regiões de Kakegawa e Fukuroi ainda produzem cerâmica Shidoro, conservando:
- técnicas tradicionais de queima a lenha,
- utensílios para chá moldados à mão,
- cerâmica funcional com esmalte de cinzas.
As associações de artesãos e os museus locais promovem o artesanato através de exposições e programas educativos. Os ceramistas contemporâneos reinterpretam frequentemente a argila escura de Shidoro em formas modernas e minimalistas.
Declínio e Renascimento
A cerâmica industrial nos períodos Meiji e Taishō provocou um declínio significativo, reduzindo o número de fornos em atividade.
Um renascimento começou em meados do século XX através de:
- renovado interesse pela cerâmica folclórica ("mingei"),
- esforços de preservação do poder local,
- redescoberta dos recursos tradicionais de barro de Shidoro,
- promoção por mercados regionais de artesanato.
Hoje, a cerâmica de Shidoro sobrevive como uma tradição regional de nicho, mas respeitada.
Coleccionismo e Autenticação
Colecionador procure por:
- superfícies com esmalte de cinzas naturais,
- cor de barro preto ou castanho escuro intenso,
- marcas de queima indicativas de fornos anagama ou noborigama,
- formas tradicionais como taças de chá, jarros de água e grandes recipientes de armazenamento,
- origem dos fornos Shidoro de longa tradição.
A autenticidade é comprovada pela composição do barro, aspeto do esmalte e consistência estilística.
Legado e Influência
A cerâmica Shidoro contribui para:
- a tradição mais vasta da cerâmica japonesa de grés queimado a lenha,
- a diversidade cerâmica da região de Tōkai,
- a linhagem de peças rústicas para a cerimónia do chá,
- a cerâmica de estúdio contemporânea que enfatiza as texturas naturais da cozedura.
A sua estética discreta continua a inspirar os artistas de cerâmica modernos no Japão e no estrangeiro.
Ver também
Referências
- Levantamento das Propriedades Culturais de Shizuoka. “Fornos Shidoro da Província de Tōtōmi.” Acedido a 2 de dezembro de 2025.
- Secretaria de Cultura da Cidade de Kakegawa. “História do Shidoro-yaki.” Acedido a 2 de dezembro de 2025.
- Artesanato Popular da Câmara Municipal de Shizuoka. “Grés Tradicional da Região de Shidoro.” Acedido a 2 de dezembro de 2025.
- Museu Japonês de Cerâmica Popular. “Artefactos Rústicos da Região de Tōkai.” Materiais da exposição, 2017.
- Associação de Cerâmica da Comunidade de San’en. “Cerâmica Shidoro e Cultura de Fornos a Lenha.” Acedido a 2 de dezembro de 2025.